segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Em cada gesto


Sou os teus sonhos,
Teus devaneios.
Tua saudade,
Sou a lembrança, sempre presente,
Em cada gesto, em cada cheiro, cada lugar.

O meu canto, o meu chamado tu ouvirás.
Mas sou quimera...
Meu canto, o das sereias...
Tua busca será eterna,
Mas nunca me alcançarás...

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas