segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Estremecendo


Neste repouso de saudade invertida, os olhos não se fecham, contemplam-se através de loucuras que os ventos nos segredam ao ouvido, e amenizam a inquietação da espera, que é curta no tempo, exígua no espaço, mas grandiosa no sentir.
O corpo, responde estremecendo, os poros despertam, o desejo instala-se, e a paixão desprende-se em gotículas perfumadas de mim e de ti, as nossas almas, presas ao mundo real, não suportam mais a ansiedade imposta pela distância, fogem, rompem as imposições, e unem-se para lá de nós, e ali, onde tudo começa, as bocas não falam, entregam-se, no sublime instante em que eu acordo, e tu me beijais os lábios entreabertos, sedentos dos teus...